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Covid-19: pesquisa mostra que contaminação não está no ônibus, mas na falta de cuidados

 

Serviço essencial ininterrupto em Aracaju, o transporte teve índice baixo de contaminação entre seus colaboradores – 0,46% ao mês.

 

A prevenção tem sido a maior aliada do Transporte Público neste período de pandemia. Embora seja um serviço característico como concentração de pessoas, por ser  transporte de massa, o ônibus não é um vetor de transmissão do vírus da Covid-19 e estudos têm apontado isso. Conforme pesquisa, a transmissão é muito maior pela falta de cuidados das pessoas, do que pelo ambiente em si.

 

No ônibus, os passageiros circulam por períodos específicos, alertas quanto aos cuidados, em um ambiente que tem   movimentação frequente de ar com as janelas e alçapões abertos e a sequência de abertura das portas para o embarque e desembarque. Desta forma, já observar-se que o ônibus se difere muito de ambientes mais propícios para as pessoas ficarem mais à vontade, e se descuidarem da prevenção. 

 

Quando se fala em contaminação, dados do sistema mostram que de 3,3 mil  funcionários do transporte que atuam em Aracaju e sua Região Metropolitana, 166 foram infectados em um ano, ou seja, 0,46% ao mês (14 casos/mês) do quadro de colaboradores. Esse percentual, felizmente, baixo para um serviço essencial, linha de frente, que não parou  durante toda a pandemia, é fruto das ações intensificadas de combate à pandemia que o setor vem estabelecendo desde março de 2020.

 

Otávio Cunha, presidente da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), reforça como as empresas do Brasil têm seguido as recomendações do Poder Público duramente. “Hoje pelo país operamos em 80% do serviço, tendo retorno de 60% da demanda. A oferta está sempre acima da demanda, provocando um desequilíbrio econômico no setor e trazendo um endividamento das empresas”, diz. Já em Aracaju, essa operação na retorno ao 100% por determinação do órgão gestor e a demanda de passageiros ainda está em 55% do habitual. Essa queda de 45% na arrecadação tem trazido preocupação já que põe em risco a sustentabilidade do transporte na cidade. 

 

Pesquisa NTU: transporte X contaminação 

 

Em pesquisa realizada pela NTU, foram comparadas as variações de demanda/uso do transporte público coletivo em todo Brasil, com as curvas de casos em cada cidade, e foi constatado que não há correlação. Ocorreram cidades com aumento da demanda no transporte enquanto diminuía o número de casos, ou cidade que ficou sem transporte e mesmo assim o número de casos aumentou. 

 

Como, por exemplo, o sistema de transporte coletivo de Teresina (PI), onde a quantidade de viagens realizadas nos ônibus sofreu forte queda nas sete primeiras semanas epidemiológicas. Nesse período, observou-se um aumento progressivo dos casos confirmados de Covid-19, sendo que, no período de 15 de maio a 6 de julho, houve greve dos rodoviários, com paralisação total da frota de ônibus. Mesmo sem transporte público verificou-se o crescimento dos casos confirmados da doença no período. A posterior normalização dos serviços de transporte coletivo coincidiu com a redução da incidência da Covid-19. Foram considerados 255 registros de informações dos sistemas de transporte e dados do SUS (Sistema Único de Saúde) durante 17 semanas, entre as semanas epidemiológicas 14 e 30, de 29 de março a 25 de julho de 2020. 

 

O diretor administrativo da NTU, Marcos Bicalho, comenta que mesmo o ônibus sendo um transporte de massa, o setor tem buscado junto aos demais setores produtivos e às autoridades governamentais o escalonamento das atividades urbanas, para descentralizar a demanda de passageiros nos mesmos horários. O objetivo é ampliar de duas horas para três ou quatro horas os horários de pico. “É importante que as prefeituras se conscientizem dessas medidas para estabelecer novos horários de funcionamento de diversos setores. É dessa maneira que vamos resolver os picos de demanda no transporte público urbano”, informa. 

 

Medidas de prevenção 

 

Desde o começo da pandemia, os cuidados têm sido redobrados. Em Aracaju e na Região Metropolitana, o Setor de Transporte tem promovido a Campanha Transporte Cuidado – uma  parceria entre Federação das Empresas de Transporte de Passageiros de Alagoas e Sergipe (Fetralse) e o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Município de Aracaju (Setransp) de conscientização de passageiros e colaboradores do transporte. A ação tem surtido grande efeito. Segue nos terminais e veículos a higienização e sanitização frequente,  a ozonização diária dos ônibus, todo tipo de limpeza é redobrada nos intervalos durante o dia também, além da disponibilização do álcool e de lavatórios externos com sabonete individual para lavagem das mãos, da medição de temperatura, da orientação  para o respeito às marcações nas filas de embarque/desembarque, e do incentivo ao uso obrigatório de máscara e da troca do dinheiro pelo cartão eletrônico para evitar a contaminação. 

“Reunimos diversas medidas que pudessem dar mais segurança ao colaborador e ao usuário. As empresas seguem com protocolo de segurança e saúde dentro dos veículos e, incansavelmente, incentivamos o uso de máscara e dos cuidados pessoais, pois sabemos que é o meio que cada um pode fazer por si e pelos outros. A pandemia ainda não acabou. Por isso, seguimos engajados em mostrar a importância do cuidado individual. ”- explica o presidente da Fetralse e do Setransp, Alberto Almeida.

 

Mais informações sobre a pesquisa da NTU acesse:  https://www.ntu.org.br/novo/upload/Publicacao/Pub637360193737717105.pdf

 

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